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Junta revoltada com atribuição de habitações sociais a famílias ciganas
12/01/2004

 
A atribuição de algumas casas no complexo da Habitação Social de Lobão a algumas famílias de etnia cigana revoltaram o presidente da Junta e os inquilinos que vivem no complexo. A Câmara Municipal diz-se responsável pelos edifícios sociais e, portanto, a ela cabe decidir quem vai para eles morar.

O presidente da Junta de Freguesia de Lobão, Joaquim Valente está revoltado com o facto de terem sido atribuídas algumas casas no complexo de Habitação Social a famílias de etnia cigana de outras freguesias quando na vila “ainda são muitos os que vivem em condições degradantes e necessitam de um novo lar”.
Dizendo não querer fazer qualquer tipo de discriminação, Joaquim Valente mostra-se preocupado com a dificuldade de integração destas pessoas e com os problemas que daí possam resultar.
O autarca afirma que alguns moradores no complexo local de habitação social “se mostram indignados” devido aos diferentes usos e costumes e ao choque de culturas que pode gerar.

“A Câmara teve a preocupação de reunir com a Junta de Freguesia e o Centro Social local quando se tratou de fazer a selecção das primeiras famílias a realojar no complexo. Tudo feito com pompa e circunstância e com muita amabilidade, mas agora atribuiu estas casas sem qualquer abordagem com a Junta de Lobão” – refere o líder do executivo local. Reconhece que a atribuição de casas é da exclusiva responsabilidade da Câmara Municipal, mas considera que há muitos casos de carência na freguesia que podiam ter sido comunicados se tivesse havido encontro semelhante ao primeiro.

As famílias em fase de realojamento ainda não estão a habitar as novas casas, mas de acordo com o autarca lobanense, já estarão em curso as mudanças.
Joaquim Valente garante que vai demonstrar o seu descontentamento ao presidente da Câmara, mas Alfredo Henriques, em declarações ao “TF”, sublinha que os empreendimentos de habitação social foram construídos para resolver os problemas de todo o Concelho e não especificamente das freguesias onde foram localizados.
Quanto ao facto de, nesta fase, não ter sido efectuada uma abordagem prévia com a Junta de Freguesia, o presidente da Câmara explica que na primeira etapa houve essa necessidade, mas como as casas desocupadas se destinam a dar resposta a situações mais complicadas, “já não foi necessário”.

Regina Baptista - Jornal 'Terras da Feira'


 
   
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